quarta-feira, 1 de agosto de 2018

FUMAÇA DE PRISIONEIRO, Antônio Dias

Hoje, 01 de agosto de 2018, faleceu o artista paraibano Antônio Dias (1944-2018). Dias estudou na Europa, nos EUA, na Índia e no Nepal e foi premiado na Bienal de Paris. No Brasil, também estudou com Oswaldo Goeldi, no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Foi professor na Sommer Academia da Áustria e na Staatliche Academia da Alemanha. 

Uma de suas obras Fumaça de Prisioneiro (1964) é um mosaico do terror e da destruição que denunciava as práticas de tortura feitas no Brasil durante a Ditadura Militar. O espectador tem que remontar um corpo dividido e dilacerado em várias partes. Cabeça, membros e vísceras estão separados e manchas de sangue estão em toda parte revelando os ferimentos. A cabeça é representada por uma caveira, símbolo da morte. 

Fumaça de Prisioneiro, Antônio Dias, 1964, Óleo e látex sobre madeira. Acervo MAC USP.








domingo, 29 de julho de 2018

PORCO EMPALHADO: Isso é arte?

Em 1967, Nelson Leirner enviou para o 4º Salão de Arte Moderna de Brasília um porco empalhado num engradado de madeira com um presunto acorrentado ao pescoço, desencadeando um debate sobre o sistema e a mercantilização das artes, as instituições museológicas e a arbitrariedade do gosto dos jurados. O júri era formado pelos críticos de arte Clarival do Prado Valladares, Frederico Morais, Mário Pedrosa, Mário Barata e Walter Zanini. Alguns deles responderam ao artista pelos jornais, alegando que a obra fazia referência ao ready-made A Fonte, de Duchamp, e estabeleceu-se uma grande polêmica. O Porco tornou-se uma celebridade e chancelou definitivamente Nelson Leirner como um dos mais controversos artistas contemporâneos brasileiros. A obra foi adquirida para integrar o acervo da Pinacoteca de SP em 1980. 

Para compreendermos esses trabalhos é preciso entender que a arte contemporânea opera não com objetos ou formas, mas com ideias e conceitos. Ela não se reduz ao seu produto final, ou seja, a obra de arte, mas ela traz toda uma construção conceitual, resultado das experiências, das ideologias, das críticas, das influências do artista e do contexto em que foi feita. Em muitos casos, o objeto artístico nem é o mais interessante, mas sim todo esse processo. Assim, na arte contemporânea, há uma mistura indissolúvel entre a ideia e a obra, que precisam ser percebidas para que a fruição estética aconteça. 


O Porco, Nelson Leirner, porco empalhado em engradado de madeira, 83 x 159 x 62 cm, 1967, Acervo Pinacoteca SP.

sábado, 2 de junho de 2018

PILATOS APRESENTA CRISTO À MULTIDÃO

Na obra Ecce Homo (Aqui está o homem) ou Pilatos apresenta Cristo à multidão, Tintoretto (Itália, 1518-1594) representa Cristo flagelado, mas com uma iluminação divina, sendo apresentado pelo sacerdote com sua longa barba e por Pilatos à multidão. Pilatos, à esquerda, está vestido nobremente com um manto rosa e sua expressão é bondosa.  No grupo de pessoas, sentimentos de indecisão misturados com compaixão, gestos emocionados e dramáticos. O cachorro solitário no degrau da escada representa o abandono de Cristo. Na bandeira a inscrição do Império Romano SPQR (Senatus Populus que Romanus - O Senado e o Povo Romano). A linha em diagonal da escadaria, acentua o movimento em direção a Cristo. As cores são fortes e os contrastes de luz intensos repetindo-se de forma a criar um ambiente espacial em torno da figura de Cristo. A obra é precursora do estilo Barroco.

O Barroco foi um movimento artístico que correspondeu ao período da Contrarreforma, quando a Igreja empregou a arte para reavivar a fé dos fiéis. Efeitos, cores e expressões contrastantes, dramáticas e apelativas foram utilizadas para atrair pela emoção.  Tintoretto pintou temas religiosos sempre com duas características: evidenciou mais os corpos do que os rostos e usou a luz e a cor com grande intensidade. O conjunto dos personagens e as cores deveriam ser vistas primeiro e depois os detalhes.


Pilatos apresenta Cristo à multidão, óleo sobre tela, Tintoretto,1546, 109 x 136 cm, Itália. Acervo MASP. Doação Cia. Siderúrgica Belgo­Mineira S.A., Banco do Estado de São Paulo­Banespa, Gastão Bueno Vidigal Filho, Clemente de Faria, Miguel Maurício, Banco da Lavoura de Minas Gerais S.A. e Alberto Quattrini Bianchi em 1949. Fonte: https://masp.org.br/acervo/obra/ecce-homo-ou-pilatos-apresenta-cristo-a-multidao

INVENTÁRIO CAPELA SANTA BÁRBARA - ARTUR NOGUEIRA


quarta-feira, 14 de março de 2018

Museu de Arqueologia Bíblica MAB UNASP EC

Nesse programa apresentado pela TV Novo Tempo eu falo um pouco do Museu onde eu trabalho e os planos que temos para ampliar nossas atividades.



quinta-feira, 8 de março de 2018

FOGO NO MUSEU


O artista, curador e gestor cultural argentino Cristián Segura traz em suas obras discussões sobre a instituição museu, suas vulnerabilidades e desafios. Utilizando-se de desenhos, esculturas, vídeos e instalações, ele denuncia a conservação desse patrimônio, seus sentidos sociais, políticos, culturais e o mercado da arte contemporânea. Em seu trabalho "Fogo no Museu", Segura aplicou adesivos de labaredas de fogo nas paredes do Museu de Arte das Américas, evidenciando a fragilidade e a insegurança dos museus e galerias. 

A instalação nos faz lembrar do incêndio no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM RJ), em julho de 1978, quando cerca de mil obras foram perdidas, entre elas, duas de Picasso e duas de Miró, restando apenas 50 obras do acervo. A perda foi tamanha, que só nos anos 1990 o país recuperaria a confiança internacional para abrigar grandes mostras.


Fogo no Museu, Cristian Segura, 2010, instalação específica, 250 m² de vinil de recorte. Projeto
para o Museu de Arte das Américas em Washington, DC. Fonte: http://www.artealdia.com/ 





sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

MANIFESTO PARA ARTE DE MANUTENÇÃO


Entre 1973 e 1975, a artista americana Mierle Laderman Ukeles realizava ações performáticas em museus, onde ela fazia "faxinas" que buscavam questionar o papel do artista, os processos de fabricação e manutenção da arte, o lugar das mulheres artistas e as questões sociais e raciais ignoradas pelas instituições museológicas.

Como feminista, a artista discutia o status do trabalho de manutenção que inclui ações como limpar, lavar, cozinhar, tanto no espaço doméstico, quanto no público, e que são desconsideradas pela sociedade que não remunera essas funções ou paga baixos salários. 

Suas performances consistiam em realizar essas atividades nos espaços museológicos de arte: "Meu trabalho, será o trabalho", afirmou em seu manifesto.

Washing/Tracks/Maintenance, Mierle Laderman Ukeles, 1973,  ação realizada no Wadsworth Atheneum Museum of Art. Foto: Cortesia da artista e Ronald Feldman Fine Arts, Nova Iorque.