segunda-feira, 24 de abril de 2017

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 27 de março de 2017

MONA LOU, RUBENS GERCHMAN

O artista plástico Rubens Gerchman nasceu no Rio de Janeiro em 1942, desenvolvendo sua formação artística no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (1957) e na Escola Nacional de Belas-Artes (1960), começando a expor ainda na década de 1960. Participou das mostras Opinião 65, Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira 67, no MAM RJ, tornando-se, a partir de então, um dos mais destacados artistas da vanguarda brasileira. Entre os anos de 1968 a 1972, morou em NY, realizando exposições individuais e coletivas e no seu retorno ao Brasil, dirigiu a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, RJ. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 expôs com regularidade no Brasil e no exterior. O artista faleceu em 2008.

Mona Lou (1975) faz parte de uma série de obras dedicadas à Maria de Lourdes de Oliveira, conhecida como “Lou”, envolvida na morte de três homens atraídos por ela para hotéis no Bairro da Tijuca para serem assassinados por seu companheiro. Lou é representada por Gerchman como uma mulher sensual, erótica e diabólica que ele incorpora em outros personagens conhecidos das artes e da Literatura como Iracema, de José de Alencar, a Negra, de Tarsila do Amaral e a Monalisa, de Leonardo da Vinci. Nesta última, ele acrescenta a inscrição “Caçadora de Cabeças”.   Através dessas obras, o artista usa o “mau gosto” do tema para discutir as repressões morais e culturais que a classe média se impõe e quer impor sobre os demais, denunciando a falta de identidade e despersonalização da sociedade brasileira. Rubens Gerchman buscava suas referências na vida popular, no cotidiano, no universo anônimo, nas páginas dos jornais a fim de mostrar que as coisas não são o que aparentam. A proposta aproxima o pintor das várias interpretações que as obras primas vinham recebendo de artistas como Duchamp, Léger, Andy Warhol, entre outros. 

Mona Lou, Rubens Gerchman, 1975, Tinta óleo sobre fotografia colada sobre eucatex, MAC Niterói, RJ.
Foto: Janaina Xavier


sexta-feira, 17 de março de 2017

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Na obra Dois pesos, duas medidas (2016), a artista brasileira Lais Myrrha constrói duas torres com as mesmas dimensões, compostas de materiais contrutivos empilhados. De um lado, materiais empregados nas construções indígenas (cipó, toras de madeira, palha) e, de outro, aqueles usados nas edificações típicas brasileiras (tijolo, cimento, ferro, vidro, canos) – dois modos construtivos que corporificam modos de vida e dois projetos distintos de sociedade que, ainda que sejam potência de construção, já anunciam suas formas de ruína. A obra foi exposta na 32ª Bienal de São Paulo, em 2016.

Dois pesos, duas medidas, detalhe da coluna com materiais indígenas. Foto: Janaina Xavier, 2016.

Dois pesos e duas medidas, detalhe da coluna com materiais contemporâneos. Foto: Janaina Xavier, 2016

domingo, 26 de fevereiro de 2017

GLU GLU GLU

A obra Glu Glu Glu, de Anna Maria Maiolino, faz referência ao ato de comer, uma ação que une as pessoas, mas que também as separa: uns comem demais e outros passam por privação de alimentos. Essas eram questões sociais no Brasil na década de 1960 e que ainda se fazem presentes na atualidade.  Glu Glu Glu também chama atenção para os órgãos digestivos e a cabeça “encaixotada” pelo sistema, tentando “deglutir” a vida cotidiana das políticas ditatoriais. Nota-se ainda o anonimato da pessoa que está de costas para o público, porém sua boca está curiosamente colocada na parte de trás da cabeça.

Maiolino nasceu na Itália e aos 12 anos mudou-se para a Venezuela onde começou a estudar arte. Em 1960, mudou-se para o Brasil onde deu continuidade aos seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes, RJ. 



Glu Glu Glu, Anna Maria Maiolino, 1966, Acrílica sobre tecido estofado, 110.50 x 59.00 cm, MAM RJ.
Foto: Janaina Xavier.



domingo, 22 de janeiro de 2017

GUIOMAR DE SOUZA FAGUNDES

Baiana quitandeira, 1931, óleo sobre tela, 140,5 x 114 cm, Guiomar Fagundes, acervo da Pinacoteca SP

Guiomar de Sousa Fagundes (1896: São Paulo, SP – 1975: Rio de Janeiro, RJ)

Artista figurativista, pintou flores, cenas de gênero e nus. Estudou pintura com Oscar Pereira da Silva, em São Paulo. Viajou à Europa, visitando Paris e Milão. Nesta cidade teve aulas com o artista Ângelo Cantu. Sua sólida aprendizagem nos anos europeus lhe proporcionou uma pintura de bom colorido e desenho. Realizou diversas mostras individuais e coletivas na França, no Uruguai, Portugal, Argentina e no Brasil.

Fonte:
http://brasilartesenciclopedias.com.br/nacional/fagundes_guiomar.htm


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

PRAIA DA CAPILHA NA RESERVA DO TAIM EM RIO GRANDE, RS

O Taim é uma reserva ecológica com uma grande diversidade de animais e onde vivem comunidades que se dedicam à pesca, à criação de animais e à agricultura. Uma dessas comunidades é conhecida por Capilha de Rio Grande ou Vila Capilha, localizada às margens da Lagoa Mirim, 4º Distrito da cidade de Rio Grande. Seu nome origina-se do espanhol "Capilla", ou "capela" em português.
A Capela de Nossa Senhora da Conceição é uma das mais antigas construções conhecidas da fronteira sul do Brasil. A primeira edificação foi construída em 1785, sendo chamada pelos espanhóis de "Capela de São Pedro" por estar no continente de São Pedro. Em 1844 foi reconstruída pelo Capitão Faustino Corrêa, fazendeiro da região.
Pesquisas arqueológicas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) encontraram vestígios de outra capela no local, construída por volta do ano de 1700. Pelo menos duas outras já haviam sido erguidas ali, uma delas de madeira que teve as paredes queimadas. Conforme os estudos, possivelmente, a primeira capela tenha sido edificada para o corpo de guarda de fronteira. A capela pode ter sido abandonada durante os 13 anos de ocupação espanhola (1763-1776). A igreja possui estilo simples, com colunas dóricas e jônicas adossadas, frontão triangular com óculo central e duas torres para os sinos, que lembra a arquitetura jesuítica. Seu estado de conservação é bastante precário, porém, existem movimentos em andamento para realizar seu restauro. 

Igreja da Praia da Capilha

Interior da Igreja

Praia da Capilha

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

APENAS AMAR



Saudarei cada dia com amor no coração.
Olharei todas as coisas com amor e renascerei.
Farei do amor minha maior arma.
E ninguém que há em frente poderá defender-se da sua força.
Os músculos podem partir o escudo e até destruir a vida,
Mas apenas os poderes invisíveis do amor podem abrir o coração dos homens.
Amarei o sol porque aquece meu corpo,
Mas amarei a chuva porque purifica o ar.
Amarei luz porque me mostra o caminho,
Mas amarei a escuridão porque me faz ver as estrelas.
Amarei os ricos porque são poucos.
Amarei os pobres porque são muitos.
Amarei os orgulhosos pois são apenas humanos,
E amarei os humildes pois são divinos.
E acima de tudo amarei a mim mesmo pois quando isso fizer,
Cuidarei do meu corpo e do meu espírito para amar toda humanidade.
Nesse momento todo ódio vai desaparecer das minhas veias,
Pois não tenho tempo para odiar,
Apenas para amar.

Adaptação do “Pergaminho 2” - Do Livro “ O maior Vendedor do Mundo” de Og Mandino