terça-feira, 5 de setembro de 2017

CRISTO DO GUIGNARD


A expressão e o olhar do Cristo do pintor mineiro Guignard é extremamente tocante e profunda. O rosto alongado e a coroa de espinhos acentuam a punção da obra. As cores quentes e fortes ressaltam a paixão de Jesus. Expressão pura. Simplesmente fantástico! 

Cristo ao Fundo de Paisagem Mineira, Alberto da Veiga Guignard, óleo sobre madeira, 40,5 x 32,5 cm, 1961.

A MULHER ADÚLTERA

Cristo e a mulher adúltera, Rodolfo Bernardelli, 1884, mármore, 2,02 m, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Foto: Jana Xavier
O artista conseguiu captar plenamente a essência do momento: "Eu também não te condeno" João 8:11. Jesus não apenas não condenou, mas acolheu a mulher.




quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PRESSÁGIO


 O AMOR, quando se revela,
 Não se sabe revelar.
 Sabe bem olhar p'ra ela,
 Mas não lhe sabe falar.

 Quem quer dizer o que sente
 Não sabe o que há de dizer.
 Fala: parece que mente...
 Cala: parece esquecer...

 Ah, mas se ela adivinhasse,
 Se pudesse ouvir o olhar, 
 E se um olhar lhe bastasse
 P'ra saber que a estão a amar!

 Mas quem sente muito, cala;
 Quem quer dizer quanto sente
 Fica sem alma nem fala,
 Fica só, inteiramente!

 Mas se isto puder contar-lhe
 O que não lhe ouso contar,
 Já não terei que falar-lhe
 Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

domingo, 14 de maio de 2017

CASA DA IPIRANGA EM PETROPÓLIS

A casa da Rua Ipiranga, em Petrópolis, de propriedade do economista José Tavares Guerra (1861-1907), foi construída em 1884 pelo engenheiro alemão Karl Spangenberger. A casa é em estilo rainha Vitória (1819-1901), da Inglaterra, com salões de festas com lustres franceses, espelhos de cristal, lareiras de mármore de Carrara e cerca de 200 pinturas murais. O jardim preserva o traçado original criado pelo botânico e paisagista francês Auguste Glaziou, que realizou os jardins da Quinta da Boa Vista e do Passeio Público, no Rio de Janeiro, para o Império Brasileiro. Nas obras foi utilizada mão-de-obra de imigrantes alemães em lugar da escrava. Foi a primeira residência em Petrópolis a empregar luz elétrica em 1896.

Fachada Principal. Foto: Janaina Xavier.

Salão com lareira e lustre francês da mesma fundição que fez os do Palácio de Versalhes, na França.
Foto: Janaina Xavier.

Pintura de anjos no teto. Foto: Janaina Xavier.

Pintura mural de um anjo tocando harpa. Foto: Janaina Xavier.

Vista do jardim. Foto: Janaina Xavier.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 27 de março de 2017

MONA LOU, RUBENS GERCHMAN

O artista plástico Rubens Gerchman nasceu no Rio de Janeiro em 1942, desenvolvendo sua formação artística no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (1957) e na Escola Nacional de Belas-Artes (1960), começando a expor ainda na década de 1960. Participou das mostras Opinião 65, Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira 67, no MAM RJ, tornando-se, a partir de então, um dos mais destacados artistas da vanguarda brasileira. Entre os anos de 1968 a 1972, morou em NY, realizando exposições individuais e coletivas e no seu retorno ao Brasil, dirigiu a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, RJ. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 expôs com regularidade no Brasil e no exterior. O artista faleceu em 2008.

Mona Lou (1975) faz parte de uma série de obras dedicadas à Maria de Lourdes de Oliveira, conhecida como “Lou”, envolvida na morte de três homens atraídos por ela para hotéis no Bairro da Tijuca para serem assassinados por seu companheiro. Lou é representada por Gerchman como uma mulher sensual, erótica e diabólica que ele incorpora em outros personagens conhecidos das artes e da Literatura como Iracema, de José de Alencar, a Negra, de Tarsila do Amaral e a Monalisa, de Leonardo da Vinci. Nesta última, ele acrescenta a inscrição “Caçadora de Cabeças”.   Através dessas obras, o artista usa o “mau gosto” do tema para discutir as repressões morais e culturais que a classe média se impõe e quer impor sobre os demais, denunciando a falta de identidade e despersonalização da sociedade brasileira. Rubens Gerchman buscava suas referências na vida popular, no cotidiano, no universo anônimo, nas páginas dos jornais a fim de mostrar que as coisas não são o que aparentam. A proposta aproxima o pintor das várias interpretações que as obras primas vinham recebendo de artistas como Duchamp, Léger, Andy Warhol, entre outros. 

Mona Lou, Rubens Gerchman, 1975, Tinta óleo sobre fotografia colada sobre eucatex, MAC Niterói, RJ.
Foto: Janaina Xavier


sexta-feira, 17 de março de 2017

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Na obra Dois pesos, duas medidas (2016), a artista brasileira Lais Myrrha constrói duas torres com as mesmas dimensões, compostas de materiais contrutivos empilhados. De um lado, materiais empregados nas construções indígenas (cipó, toras de madeira, palha) e, de outro, aqueles usados nas edificações típicas brasileiras (tijolo, cimento, ferro, vidro, canos) – dois modos construtivos que corporificam modos de vida e dois projetos distintos de sociedade que, ainda que sejam potência de construção, já anunciam suas formas de ruína. A obra foi exposta na 32ª Bienal de São Paulo, em 2016.

Dois pesos, duas medidas, detalhe da coluna com materiais indígenas. Foto: Janaina Xavier, 2016.

Dois pesos e duas medidas, detalhe da coluna com materiais contemporâneos. Foto: Janaina Xavier, 2016