terça-feira, 12 de janeiro de 2021

A realidade das bailarinas de Degas


O artista francês Edgar Degas (1834-1917) ocupava um lugar privilegiado na sociedade parisiense, frequentando a Ópera de Paris. Sua posição de prestígio permitia que assistisse aos espetáculos em lugares reservados e tivesse acesso ao foyer, podendo observar de perto as bailarinas. Essa condição permitiu que ele fizesse inúmeras pinturas, tornando-se conhecido como o pintor das bailarinas. Entretanto, estudos recentes tem trazido à tona situações que envolviam assédio e prostituição infantil. Entre as obras do artista está a escultura Bailarina de Catorze Anos (1880) que representa a jovem Marie van Goethem que Degas conheceu na Ópera. Marie era uma menina muito pobre, filha de uma lavadeira e um alfaiate e, assim como sua irmã, se prostituiu na tentativa de melhorar sua condição social. Essa associação do balé com a prostituição fazia com que esse trabalho não fosse respeitado na década de 1880. 

Bailarina de Catorze Anos, Degas, 1880, bronze pintado e tecido, acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP). 

Muitas jovens foram exploradas nos bastidores da Ópera de Paris na esperança de conquistar um contrato definitivo ou um papel de destaque. As moças humildes eram conhecidas como petits rats (pequenas ratas) e os homens ricos que as exploravam eram chamados de abonnés (assinantes). Os abonnés financiavam os espetáculos podendo influenciar na escolha dos papeis cobiçados; eles também patrocinavam as moças pobres acomodando-as em quartos e pagando aulas particulares. Esses relacionamentos, apoiados pelos pais, era a chance de avançar na profissão.  


Os bastidores da ópera, Jean Béraud, 1889.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Uma Alegoria da Arquitetura

Carle Vanloo (1705-1765) nasceu em Nice, na França, mas ainda jovem juntou-se ao irmão na Itália. Em Roma, foi formado pelo pintor Benedetto Lutti (1666-1724) e pelo escultor Pierre Legros (1666-1719). De volta a Paris em 1719, estudou na Académie Royale, onde ganhou o primeiro prêmio de desenho em 1723. Posteriormente, recebeu o Prix de Rome e passou vários anos nesta cidade. Após seu retorno a Paris, ele teve um grande sucesso e produziu pinturas para a corte e a alta sociedade parisiense. Ele era o amigo e o principal rival de François Boucher (1703-1770) e treinou muitos artistas importantes da geração seguinte, como Jean-Honoré Fragonard (1732-1806), Gabriel-François Doyen (1726-1806), Bernard Lépicié ( 1698-1755) e Louis Lagrenée (1725-1805). 

A pintura "Uma alegoria da Arquitetura" pertence a um conjunto de quatro pinturas que ilustram quatro alegorias encarnadas por crianças (Música, Arquitetura, Escultura e Pintura). A pintura original de Carle Vanloo foi concebida como um painel decorativo sobre a porta do Salon de Compagnie, da Madame de Pompadour, em seu castelo em Bellevue. É um bom exemplo da arte decorativa francesa da moda de meados do século XVIII, do período Rococó, que favorecia a representação de brincadeiras infantis travessas.


Uma Alegoria da Arquitetura, Carle Vanloo
Uma Alegoria da Arquitetura, Carle Vanloo, óleo sobre tela, final séc. XVIII.
Victoria andAlbert Museum, Inglaterra.  



quarta-feira, 28 de outubro de 2020

RECUPERADA OBRA DO ARTISTA NEGRO NORTE AMERICANO JACOB LAWRENCE

Uma pintura do artista negro norte americano Jacob Lawrence (1917 - 2000) foi localizada na residência de um casal de idosos, que haviam adquirido a obra em um leilão de caridade em 1960, sem saber da importância do quadro. 

A pintura, que estava desaparecida do Museu Metropolitano de Arte de Nova York desde 1960, junto com outras cinco obras perdidas, faz parte de uma séríe de 30 quadros que retratam a história afro-americana, intitulada: Struggle: From the History of the American People (Luta: Da História do Povo Americano).

There are combustibles in every State, which a spark might set fire to.



A tela localizada é There are combustibles in every State, which a spark might set fire to (Existem combustíveis em todos os Estados que podem ser atingidos por uma faísca). Ela apresenta a Rebelião de Shays, que ocorreu entre 1786 e 1787, no estado de Massachusetts, quando agricultores se revoltaram contra os impostos, liderados por Daniel Shays. Os protestos tiveram seu ápice no dia 25 de janeiro de 1787 quando três mil insurgentes marcharam até a cidade de Springfield, tentando derrubar o governo, sem sucesso. Apesar do fim da rebelião, os governantes posteriormente realizaram a Convenção Constitucional que elaborou a Constituição dos EUA. 

O quadro foi emprestado pelo casal ao Museu e irá compor uma exposição itinerante pelos EUA.

Fonte: UOL, 2020. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

EDOUARD MANET E O REALISMO

 

Antes de participar do movimento impressionista, Edouard Manet (1832 - 1883) pintava segundo a estética do Realismo. O Realismo foi um estilo artístico caracterizado pela objetividade e pelo interesse em temas sociais. Os artistas realistas repudiavam a artificialidade do Neoclassicismo e do Romantismo. As obras privilegiavam cenas cotidianas dos grupos sociais menos favorecidos. Em sua pintura Olympia o artista retratou uma prostituta deitada nua, enquanto uma mulher negra lhe entrega flores. A obra foi exibida no Salão de Paris em 1865, sendo muito criticada por sua ousadia e o tema considerado vulgar. Em Olympia, Manet usa a Vênus de Urbino, do artista renascentista Ticiano, como referente assinalando o despontar do modernismo, quebrando com o conceito de originalidade na arte.


Vênus de Urbino, Ticiano, 1538, óleo sobre tela, 119 x 165 cm, Itália.

Vênus de Urbino, Ticiano, 1538, óleo sobre tela, 119 x 165 cm, Itália.




Olympia, Manet, 1863, óleo sobre tela, 130,5  × 190, Paris.


quinta-feira, 23 de julho de 2020

SALÃO DO BAR BRASIL

A Exposição do Salão Bar Brasil, em Belo Horizonte, 1936, foi uma mostra de questionamento à produção artística tradicional. Durante a XII Exposição da Sociedade Mineira de Belas Artes, os artistas que se reuniam no Bar do Cine Brasil, organizaram uma apresentação concorrente de seus trabalhos, liderados por Delpino Júnior. A exposição do Bar Brasil, de pretensões modernas, teve apoio da Prefeitura de Belo Horizonte e contou com a presença dos intelectuais e da imprensa local. Alberto Delpino, Djanira Seixas Coutinho, Genesco Murta, Renato Lima, Franciso Rocha, J. J. Neves, Fernando Pierucetti e Renato Lima, foram alguns dos artistas participantes e que afirmavam o desejo de afastar a pobreza do ambiente artístico mineiro.  

Entre os trabalhos premiados, estavam os desenhos Jornaleiros e Miséria, de Fernando Pierucetti. Seus trabalhos apresentavam os desconhecidos do cotidiano recente na cidade moderna de Belo Horizonte, rompendo com a estética mineira tradicional das igrejas e do passado colonial. Com medo de ser considerado comunista e sofrer perseguição policial, o artista assina as obras com o pseudônimo Luiz Alfredo. 



Fernando Pierucetti. Jornaleiros. 1936. Carvão/Papel. 75,5 x 60 cm.
Museu Mineiro. Belo Horizonte


Fernando Pierucetti. Miséria. 1936. Carvão/Papel. 58 x 70 cm. Museu Mineiro. Belo Horizonte. 












FONTE: 
VIVAS, Rodrigo. 1944. Do pincel à gilete: a arte moderna em Belo Horizonte. In: CAVALCANTI, Ana Maria Tavares; OLIVEIRA, Emerson Dionísio; COUTO, Maria de Fátima Morethy; MALTA, Marize. Histórias da Arte em exposições. Rio de Janeiro: Rio Books, 2017. 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

ASSIM BRILHE A VOSSA LUZ

Uma conversa sobre o acervo de lamparinas do período bíblico no acervo do Museu de Arqueologia Bíblica (MAB UNASP EC). Participação da museóloga Dra Janaina Xavier e da teóloga Thais Benedetti.


quarta-feira, 15 de julho de 2020

POSTA LIXO, REGINA VATER


Em 1974, ao visitar os espaços turísticos e culturais de NY, a artista carioca Regina Vater (1943) registra imagens paradoxais da cidade considerada a capital da cultura e da vanguarda. Para Vater, NY é um cenário urbano distópico, onde os dejetos e descartes da sociedade de consumo aparecem nas fotografias como algo que  se sobressai ao imaginário turístico glamoroso. A imagem de lixo urbano também contrapõe a função idealizada para os cartões postais de representar cenários aprazíveis. A obra foi enviada ao Diretor do MAC USP, Walter Zanini para a exposição coletiva VIII JAC (Jovem Arte Contemporânea). Fonte: FREIRE, Cristina (org). Terra Brasilis: arte brasileira no acervo conceitual do MAC USP. São Paulo: MAC USP, 2019.


Posta Lixo,  Regina Vater,1974. Arte Postal endereçada a Zanini, Nova York.